A ordem dos fatores

Dante Baptista

Jornalismo é uma coisa, audiência é outra.

Enquanto o SBT transmite Pantanal e a Record aposta nos ex-atores globais como Mutantes, a Globo não pensou duas vezes. Pediu para adiantar o jogo entre Corinthians e Bragantino e o colocou, em horário nobre de Série A, por mais que seja a oitava rodada da Série B.

Enquanto o resto do Brasil viu a final da Libertadores, São Paulo assistiu o jogo do Corinthians. O jogo, que terminou 1 a 1 e teve baixo nível técnico, pelo menos agradou aos torcedores corinthianos.

Em termos de jornalismo e ordem de importância, a Globo foi mal. Mas a sacada foi boa na guerra pela audiência.

LDU massacra o Flu

Dante Baptista

Flu x LDU

No primeiro tempo, o Fluminense simplesmente inexistiu. Sistema defensivo e meio campo estavam distantes e nervosos. Talvez tenham sentido a pressão ou perderam o embalo trazido pelas vitórias sobre Boca e São Paulo.

A LDU percebeu e marcou seu primeiro gol logo no primeiro minuto de jogo. Washington teve a chance de empatar logo depois, mas perdeu uma chance imperdível, que pode ter custado o título. Ainda assim, o gol tricolor veio com Conca, em cobrança de falta que normalmente Thiago Neves coloca na área. Mas o argentino bateu direto e fez um golaço!

O jogo estava aberto e o Flu tinha boas chances, mas parecia nervoso demais. Além disso, não tomou os cuidados defensivos que precisava. Guerrón passou quase todas as vezes por Junior Cesar e Bolaños não teve que se preocupar com Gabriel.

Assim, a LDU, no mesmo ritmo que este texto, fez outros três gols. Um em rebote de cobrança de falta e outros dois em escanteios desviados no primeiro pau. Enquanto Renato Gaúcho rezava para terminar o primeiro tempo.

Veio o segundo tempo e a atitude do Flu mudou, mas sobretudo, os equatorianos não conseguiram repetir a mesma velocidade do primeiro tempo. O meio-campo não tinha o mesmo gás, os pontas não davam o mesmo perigo para a zaga Fluminense. E o time cosneguiu colocar a bola no chão, e com uma boa jogada, Thiago Neves deu uma injeção de ânimo aos tricolores, diminuindo para 4 a 2.

E o jogo seguiu morno no segundo tempo, em que a LDU tratava de administrar, enquanto seu adversário também não criava tantas chances agudas assim. E, aos 42 do segundo tempo, Fernando Henrique evitou um desastre maior ao defender um chute à queima-roupa.

Para a LDU, perder por até um gol de diferença vale o título, já que o regulamento não considera na final o gol fora de casa. O Flu sai com a sensação de que é possível reverter o placar e levar o jogo à prorrogação. Apenas um único time conseguiu isso, em 1989: Nacional de Medellín.

Final inédita

Dante Baptista

Será um jogo interessantíssimo. Duas equipes que nunca chegaram à final da Libertadores se enfrentam hoje. Dois estilos opostos e uma única motivação. É assim que Fluminense e LDU disputarão, em Quito, a primeira partida da final da Libertadores. A última vez que dois times chegaram pela primeira vez à final foi em 1999, quando o Palmeiras venceu o Deportivo Cali, da Colômbia.

A LDU é o famoso ‘time encardido’. Usa o fator altitude e joga com rapidez e força. Não tem nenhum grande craque e dificilmente prioriza o jogo individual. Fora de casa, não costuma jogar tão bem assim, mas não pense que eles não têm qualidade. Por ter uma base que joga junto há muito tempo, os toques rápidos e movimentação são armas poderosas.

O Flu joga um futebol muito parecido com o que o brasileiro gosta de ver. Habilidade, tabelas, jogo coletivo recheado por jogadas individuais. Thiago Neves e Conca armam e cadenciam o jogo, enquanto Gabriel e Junior Cesar dão velocidade pelos lados do campo. Wasinhton, mais barato que Adriano, é a referência no ataque.

Credenciados com a primeira colocação em seu grupo (curiosamente, a LDU ficou em segundo lugar) e por eliminar ‘apenas’ São Paulo e Boca Juniors, o Fluminense corre apenas um risco. A LDU, diferente dos adversários anteriores, não vai querer medir forças contra o time de Renato Gaúcho. E está certa nisso. Boca e São Paulo têm tradição e a usaram como fator em campo. Mesmo assim, foram despachados no Maracanã.

Os equatorianos sempre fizeram campanhas medianas. Mostraram bom futebol, mas nunca chegaram tão longe. Por isso, fazem o jogo da vida e devem jogar bem melhor do que na estréia da competição, contra o próprio Fluminense.

E aí mora o perigo. Renato e seus comandados não podem achar que a LDU jogará medindo forças e, principalmente, que o jogo está ganho. É exatamente isso que eles querem.

E todo cuidado com a impáfia, Renato Gaúcho.

O blog acompanha e comentará o jogo amanhã

Ainda não é o Brasil

Dante Baptista

Dunga e os jogadores ressaltaram, após o jogo do Brasil que ‘pelo menos mudou a atitude’. De fato, o time correu, marcou, diminuiu espaços e se esforçou. Nada além disso.

Essa postura, contra o Paraguai, teria funcionado. Contra a Argentina, é um pouco mais que isso. Até porque os hermanos não vivem em sua melhor fase técnica.

Mas, pelo menos o jogo serve para algumas conclusões:

* Precisa-se de substitutos para Maicon e Gilberto. Os dois têm força física e até chegam com certa facilidade ao fundo, mas além da falta de jogadores que façam o famoso 1-2, eles driblam pouco e cruzam mal. Saudades de Roberto Carlos e Cafu…

* Diego não dá, mas Julio Baptista sim. Fora os gols contra Canadá e Inglaterra, não lembro de nada relevante em Diego na ‘gestão Dunga’. E, para completar, foi completamente inoperante diante da Argentina. Já Julio, embora tenha estranhado vê-lo com a camisa 10, foi o melhor em campo. Jogou dentro de suas limitações, mas criou e marcou. Dá pra contar com ‘La Bestia’.

* Robinho não conseguiu se firmar como o líder do time de Dunga. E, além disso, só joga bem quando está bem acompanhado. Não senti um Robinho que assuma a responsabilidade nos momentos difíceis, nem mesmo no Real Madrid.

* Gilberto Silva e Mineiro: não dá mais. ‘Mineiro no São Paulo era abusado, na Seleção, é tão tímido que atrapalha’. Já Gilberto Silva, além de errar passes demais, é lento na marcação. Passou da hora de se testar jogadores como Hernanes para a posição.

* Mudanças? Se não temos os melhores jogadores à disposição, cabe ao técnico repensar a forma de atuar da equipe. O mérito de um bom técnico está em aproveitar ao máximo a potencial de cada jogador. Por exemplo, num esquema com três zagueiros, Daniel Alves e Kléber teriam mais liberdade para fazer o que sabem: atacar. Alex Silva, por sua rapidez e habilidade para sair jogando, poderia ser este terceiro zagueiro.

Enquanto isso, estaremos em 5º lugar nas Eliminatórias até a próxima rodada, já que o Chile venceu a Venezuela fora de casa e saltou para o 3º lugar.

A ‘paraguaia’ Seleção Brasileira

Dante Baptista

Sou do tempo em que era gostoso assistir a uma partida da Seleção Brasileira. Embora tenha começado a gostar de futebol na entressafra de 90 a 94, ainda via o Brasil com o resultado do que os torcedores mais sonham: ver os principais craques do país vestindo uma única camisa. Por isso, não perdia um jogo. Podia ser uma convocação, treino, amistoso, Copa América, Copa das Confederações, Copa Ouro (nem preciso falar de Copa do Mundo)…

Desta forma, o brasileiro, apaixonado pelo seu clube, sempre nutriu uma paixão pela seleção. Quem não tinha o privilégio de vê-los jogando em seus clubes, podia torcer por Pelé, Zico, Raí, Careca, Sócrates, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká…

Ao longo dos anos, Ricardo Teixeira, CBF e muitos cabeças-de-bagre que já vestiram a amarelinha me fizeram perder um pouco do encantamento em assistir a Seleção. À medida que os craques saíam do Brasil, a Seleção saía um pouco também. Os jogos deixaram de ser no Brasil, deixamos de ver o time brasileiro jogando contra grandes forças e passamos a ver jogos contra o time de Lucerna, o Kweit, Andorra…

Além disso, sempre entendi por Seleção o princípio básico: selecionar os dois melhores jogadores de cada posição nascidos no país. E acho que todo brasileiro entende isso, até porque a imprensa internacional trata ‘Seleçao’ como apelido brasileiro, assim como English Team, Azzurra, Bleus, etc.

E ontem, ao ver um Brasil desequilibrado, apático e sem a mínima cara de Brasil, sofri mais um duro golpe neste ‘casamento’ com a Seleção Brasileira(?). Perder para o Paraguai, fora de casa, por 2 a 0 nem foi o problema. O problema foi ver a falta de postura brasileira, jogando com três volantes de cotenção e sem armação de jogadas. Foi ver o Paraguai dizendo que tinha a obrigação de vencer. Mas, peraí: quem tem cinco títulos mundiais não é o Brasil? Quem se orgulha de ser o ‘país do futebol’? Quem vendeu para o mundo a ginga, o drible, a malícia?

E a culpa não é do Paraguai, que jogou o feijão-com-arroz bem feito. A culpa é da covardia, apatia e falta de fotebol brasileiro.

Obrigado Ricardo Teixeira, por minimizar a paixão do brasileiro.

Obrigado Nike, por comercializar e extinguir aquilo que o Brasil tem (tinha?) de melhor.

Obrigado Dunga, pelo vexame.

Volta

Dante Baptista

Depois de um mês ocupado com as atribuições profissionais, o blogueiro volta hoje.

Corinthians e a bola oval

Dante Baptista

Corinthians Steamrollers

O Corinthians anunciou ontem (15/04) a parceria com o time de futebol americano Diadema Steamrollers, pioneiro no esporte no Brasil.

O Steamrollers (ou Rolo Compressor, em português) começou em 2004 com uma brincadeira de amigos no Ibirapuera, que, aos poucos, foi tomando corpo e ficou séria. Em 2006, veio a primeira participação no campeonato paulista da categoria e o ótimo desempenho nos anos seguintes chamou a atenção do Corinthians.

Parabéns aos amigos (de longa data) Argentino e Zapparoli, jogadores do time e praticamente militantes do futebol americano no país.

Confira as notícias do Corinthians Steamrollers no blog do time: http://diademasteamrollers.blogspot.com/

Santos se complica no México

Dante Baptista

Alguma coisa aconteceu com o time do Santos.

Ou melhor, não aconteceu.

A zaga não marcou, o meio não criou e o ataque ficou órfão. Não parecia o time que venceu bem o Cucuta bem e parecia ter tomado corpo. Molina foi nulo, bem como a zaga com Fabão (é o mesmo que foi campeão pelo São Paulo?) e Marcelo e Kléber não fez nada de tão relevante.

E, em falha de marcação da defesa, Cabañas (medidas oficiais: 1,73m | 78kg) recebeu sozinho e marcou o primeiro do América.

No segundo tempo, Leão sacou Molina e colocou Tabata. Mesmo com o péssimo desempenho do colombiano, Tabata é ainda pior e mais ineficiente.

Outra falha de marcação e Cabañas recebe livre e marca o segundo gol.

Quando o Santos teve uma oportunidade clara de trazer um resultado ‘menos pior’ paa a Vila, Hector Baldassi anulou gol legal de Kléber Pereira.

* * *

LDU e San Lorenzo empataram em 1 a 1, e o resultado teve boa colaboração do goleiro do time argentino, que tentou fazer o que não sabe (sair jogando e fazer embaixadas) e tomou um gol bisonho.

Adriano é Seleção

Dante Baptista

Poucas novidades na lista que Dunga divulgou hoje, 15/04 para os jogos contra Canadá, Venezuela, Argentina e Paraguai. Entre elas, a principal é a volta de Adriano, que não jogará os amistosos, em função da Taça Libertadores, mas estará presente nas Eliminatórias.

No demais, os mesmos jogadores que figuraram nas listas de Dunga.

A volta do Imperador é sinal de reconhecimento pela melhora do jogador, que temsido fundamental para a vida do São Paulo na Libertadores. “Todo mundo conhece o potencial do Adriano. É normal que na nossa vida de esportista existam momentos em que as coisas não andam bem. Mas ele demonstrou força de vontade, capacidade. O futebol dele nunca foi colocado em dúvida. Ele recuperou a forma, está jogando, e merece retornar à seleção”, disse Dunga, durante a coletiva.

Confira a lista para os jogos:

GOLEIROS
Júlio César (Inter de Milão)
Diego Alves (Almería)
Doni (Roma)

ZAGUEIROS

Alex (Chelsea)
Juan (Roma)
Lúcio (Bayern de Munique)
Luisão (Benfica)

LATERAIS
Daniel Alves (Sevilla)
Marcelo (Real Madrid)
Gilberto (Hertha Berlim)
Kleber (Santos)
Maicon (Inter)

MEIAS

Anderson (Manchester United)
Diego (Werder Bremen)
Elano (Manchester City)
Gilberto Silva (Arsenal)
Josué (Wolfsburg)
Julio Baptista (Real Madrid)
Kaká (Milan)
Mineiro (Hertha Berlim)

ATACANTES

Adriano (São Paulo)
Alexandre Pato (Milan)
Luis Fabiano (Sevilla)
Robinho (Real Madrid)
Rafael Sobis (Bétis)

Adriano é o cara

Dante Baptista

Vamos aos reflexos de uma quarta-feira decisiva, começando pelo Morumbi:

No último post sobre a vitória são-paulina na Libertadores, disse que tinha sido a melhor atuação do time no ano. Tirando o hiato da partida contra o Grêmio, a equipe provou que evoluiu mesmo no duelo diante do Fluminense.

Eu, sinceramente, esperava mais do Fluminense, e creio que o resultado mostrou que Libertadores é competição para dois estilos de times: os que têm camisa e os que sabem jogar uma Libertadores. O São Paulo reuniu os dois, enquanto faltou experiência para o Tricolor das Laranjeiras.

A direfença também ficou por conta do São Paulo ter entrado mais ‘ligado’ no jogo, sabendo que era a partida da vida. Fábio Santos, Hugo, Richarlysson, Dagoberto foram verdadeiros leões, tática e tecnicamente. Somado a um Adriano inspirado, que armou e concluiu, deu Tricolor Paulista.

Já do lado do Flu, Fernando Henrique (que deu o gol para Adriano), Dodô e Thiago Neves sequer entraram no jogo, e Thiago Silva não jogou, contundido.

* * *

* Em ano de centenário, o Atlético-MG decepcionou novamente sua torcida. Jogou melhor que o Botafogo mas perdeu por 2 a 0. O blog deseja um feliz 2009 ao Galo, e espera que seja realmente feliz, pois, se não se arrumar, poderá voltar à Série B.

* Internacional e Palmeiras eram favoritos na Copa do Brasil, certo? Não avisaram isso ao Sport Recife, que despachou os dois na Ilha do Retiro lotada.

* O Corinthians ganhou corpo: tem um time rápido e, se não é muito criativo, tem até algumas opções. Pode fazer bonito na Copa do Brasil.