Kaká leva Milan ao título mundial
Dante Baptista
Apesar do blogueiro ter dito que o jogo seria imperdivel, por obrigações profissionais, não pude ver a partida entre Milan e Boca Juniors, vencida pelos italianos por 4 a 2.
O resultado consagrou o time rossonero como o único tetracampeão mundial de clubes. São Paulo, Boca Juniors, Peñarol, Real Madrid e Estudiantes têm três títulos.
Kaká teve atuação impecável, que o credenciou como melhor do campeonato e da final, sinal claro de sua superioridade técnica sobre os outros jogadores da atualidade.
Por isso, deixo vocês com um vídeo com os melhores lances da partida e a excelente coluna, do tão excelente André Kfouri, no blogol, sobre a atuação de Kaká no Mundial de Clubes.
Enjoy it.
COLUNA DOMINICAL
Por André Kfouri
A participação de Kaká no Mundial de Clubes da Fifa de 2007 ficará na história por causa de três lances.
Três arrancadas pela esquerda do ataque do Milan que, não por acaso, terminaram dentro do gol.
A primeira foi no segundo tempo da semifinal contra o Urawa Red Diamonds. Lançado, Kaká foi até a linha de fundo, olhou para área e serviu o holandês Seedorf, autor do gol da vitória por 1 x 0.
A segunda foi no primeiro tempo da final contra o Boca Juniors. Contra-ataque, a preocupação da zaga argentina se dividiu entre Kaká com a bola, e Inzaghi pedindo. Kaká bateu, a bola voltou, e quando todos esperavam outro chute, ele rolou para o predestinado (é o jogador comum mais brilhante do mundo) Pippo marcar o primeiro gol italiano.
Finalmente, a terceira arrancada aconteceu no segundo tempo do jogo, quando o Milan já vencia por 2 x 1. E é o lance que melhor exemplifica as qualidades raras do meia brasileiro, o arsenal que o diferencia do resto do mundo do futebol.
O Boca pressionava para empatar, deixando os inevitáveis espaços para o contra-golpe. Hugo Ibarra subiu pela direita, numa jogada que não deu certo. A bola ficou com Gattuso, que viu Kaká disparar em direção ao ataque, pelo corredor onde Ibarra deveria estar.
O capitão Maldini havia se machucado no lance anterior, estava no chão. Kaká ignorou a possibilidade de parar a jogada, porque percebeu que o Milan estava diante de uma chance imperdível. Gattuso teve a mesma reação. Em vez de tocar a bola para fora do campo, lançou o melhor jogador do mundo.
O defensor Maidana foi apenas mais um jogador a descobrir que Kaká revolucionou o “um-contra-um”. Quando ele está com a bola, especialmente em velocidade, é “um-contra-ninguém”.
Kaká é mais rápido, mais forte, mais inteligente.
Balançou na frente do zagueiro, tomou-lhe a frente como se ele não existisse, e venceu o goleiro Caranta com um toque rasteiro de pé esquerdo. Gol que essencialmente entregou o mundo ao Milan.
Alguém lembrará que ainda teve o quarto gol, em que Kaká recebeu de Seedorf na área, armou o chute e deu mais um para Inzaghi fazer. Bela jogada, sem dúvida. Belíssima, para os normais.
Mas para Kaká, é coisa comum. Por isso fica fora da lista.
O Milan é campeão do mundo, é o “Rei de Copas”.
Porque Kaká é o “Rei da Bola”.
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