Dante Baptista
Quem somente viu o resultado e os melhores momentos, pode até imaginar que a goleada palmeirense foi achapante e que o São Paulo sequer viu a cor da bola. Mas não foi exatamente isso.
Os dois times entraram com a proposta de se estudar, evitando maiores devaneios, especialmente o São Paulo. Um empate manteria a equipe no G4.
Se Muricy não poderia contar com Miranda e Dagoberto, Luxemburgo teria a volta de Marcos, Diego Souza e Valdívia. E essa frase comprova duas coisas: primeiro, o Palmeiras tem mais opções que o São Paulo; e segundo; sem Miranda, a defesa são-paulina fica em sérios apuros.
Restava ao Tricolor apostar na sua única arma em 2008, a bola parada. E foi exatamente isso que aconteceu quando Adriano escorou o cruzamento de Jorge Wagner e abriu o placar. Muricy ainda precisaria rezar para que a sua defesa, com os lentos Juninho e André Dias, não desse sopa para o azar.
E Juninho ‘deu sopa’. Fraco no mano-a-mano, tentou dar um carrinho (desnecessário) quando Kléber recebeu na entrada da área. Foi ridiculamente fintado e ainda viu, mesmo que do chão, o atacante palmeirense escolher o canto e fazer um golaço.
O segundo tempo permaneceu equilibrado até o pênalti infantil de Junior em Valdívia. Gol de Denílson. Juninho (de novo) fez besteira e agarrou / segurou / puxou / empurrou Kléber dentro da área. Outro pênalti, convertido por Valdívia. E, no final do jogo, Ricky fez mais uma penalidade bisonha. Dessa vez, Diego Souza marcou.
Conclusões da partida:
* O São Paulo não jogou mal, ao contrário do que o placar comprova. Mas ainda falta padrão tático. Um time que se pretende campeão de tudo que disputar em 2008 não pode apostar em bola aérea e rezar para que a defesa não erre.
* Já o Palmeiras mostrou que se acertou. Contratou bem e soube encaixar as peças novas no antigo elenco, ao contrário do que acontece no Morumbi. Léo Lima está jogando muito como segundo volante e Kléber caiu como uma luva ao time de Luxa. Até em função do interesse pela competição, o Palmeiras pinta como grande favorito.
* Demorei para escrever sobre isso, mas parece claro que Juninho e Joílson jogam bem no Botafogo, e só.
* O time do São Paulo jogaria mais se os volantes resolvessem jogar futebol. Hernanes não é o mesmo do ano passado, e Ricky… esqueceu o futebol em algum lugar, e ainda não o encontrou.
* Henrique, considerado lento por Muricy, joga muito. Desarma e marca com muita habilidade. Será que a diretoria do São Paulo achou Juninho mais rápido?
* Diego Souza comprova no Palmeiras o porquê de tanto assédio para a sua contratação. O drible que originou o quarto gol palmeirense foi sensacional. E ele nem precisou tocar na bola para isso.
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